Entre Tróia e a Vereda...
Não sei o nome da pedra
que guarda, no fundo,
a primeira sede do mundo.
Não sei se o diabo mora
na curva da vereda
ou se aprende a caminhar
no casco escuro dos navios.
Sei de um homem sem Ítaca,
de um cavalo inventado na poeira,
de guerreiros que regressam
para encontrar a casa
tomada por sua ausência.
Tudo o que não sei
tem o tamanho de um sertão:
não cabe em mapa,
não se rende à bússola,
não termina onde termina a vista.
E tudo o que jamais serei
já me espera adiante:
um Aquiles sem glória,
um Riobaldo sem resposta,
um deus menor, perdido,
na guerra que ele mesmo não compreende.
Travessia:
esta palavra é um rio
onde os mortos bebem sombra
e os vivos chamam destino
ao que apenas os atravessa.
Não sei se vencer é voltar.
Não sei se voltar é perder-se.
Mas sigo…
com a lança quebrada,
a fala cheia de areia,
e uma pergunta ardendo
onde devia haver futuro.
Porque viver, talvez,
seja passar entre Tróia e o sertão,
sem possuir cavalo ou jagunço,
sem saber quem nos combate,
até que a noite diga:
não há chegada.
Há apenas este passo.
E outro.
E outro.

